Karatê ou caratê? Kibe ou quibe?

Apesar de o novo Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa ter reintroduzido as letras kwy no alfabeto português, essas três letras continuam devendo ser substituídas por letras tradicionais do nosso alfabeto (c/qu, u/v e i/ai, conforme o caso) nas palavras aportuguesadas.

Deve-se escrever, portanto, em português: cartódromo (e não kartódromo); caratê (e não karatê); quibe (e não kibe); iene (a moeda do Japão) (e não yen); coala (e não koala); quilo (e não kilo); uísque (e não whisky); ioga (e não yoga), carma (e não karma), caraoquê (e não karaoke).

Segundo o que diz explicitamente  o Acordo Ortográfico, o que se fez foi simplesmente incluir essas três letras na ordem alfabética (porque “os dicionários já registram estas letras“, de modo que “na aprendizagem do alfabeto é necessário fixar qual a ordem que aquelas letras ocupam“), mas absolutamente nada mudou quanto ao uso “restritivo” que essas letras têm no nosso idioma – em que, como antes, só devem ser usadas para grafar os nomes próprios estrangeiros (como Kant, Kuwait ou Washington) e as palavras derivadas desses nomes próprios (como “kantismo“, “kuwaitiano” ou “washingtoniano“).

O item 7.1 do texto do Acordo (que pode ser lido, na íntegra, aqui) afirma explicitamente que, “Apesar da inclusão no alfabeto das letras k, w e y, mantiveram-se no entanto as regras já fixadas anteriormente, quanto ao seu uso restritivo, pois existem outras letras com o mesmo som que os de k, w e y. Se, de fato, se abolisse o uso restritivo de k, w e y, introduzir-se-ia no sistema ortográfico do português mais um fator de perturbação, ou seja, a possibilidade de representar, indiscriminadamente, por aquelas letras fonemas que já são transcritos por outras“.