Devagarzinho ou devagarinho?

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Está correto dizer devagarzinho ou devagarinho? Ambas as formas são corretas gramaticalmente e têm séculos de tradição na língua.

A primeira dúvida poderia ser se um advérbio pode ter diminutivo. Muitos se confundem com o que aprenderam na escola – que advérbios “são invariáveis”. Se são invariáveis, não podem ter diminutivo, certo? Errado. Quando professores ensinam que advérbios são invariáveis, querem dizer que são invariáveis com relação ao sujeito, isto é, não variam conforme o sujeito: uma pessoa anda devagar, e duas pessoas também andam devagar – e não “devagares”. Mas, como as boas gramáticas ensinam, advérbios têm, sim, flexões: superlativo, aumentativo, diminutivo…

A segunda dúvida seria qual das duas formas é a correta: devagarzinho, com “z”, ou devagarinho, sem o “z”. A resposta é que as duas formas são igualmente corretas. Como já vimos na resposta sobre o diminutivo de foto, existem duas terminações diferentes para formar diminutivos em português: “-zinho” e “-inho“. Assim, pode-se dizer que um texto pequeno é um textozinho ou um textinho; o diminutivo de vidro pode ser tanto vidrozinho quanto vidrinho; o de pastor, pastorzinho ou pastorinho; o de flor, florzinha ou florinha.

Da mesma forma, o diminutivo de devagar pode ser tanto devagarinho quanto devagarzinho.

Em Dom Casmurro, por exemplo, Machado de Assis usou as duas formas – “devagarzinho”, no trecho acima, e “devagarinho”, no trecho abaixo:

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As duas formas estão absolutamente corretas.

Embaçado ou embaciado? Embaciar ou embaçar? Os dois

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O vidro fica embaçado ou embaciado? Tanto faz. De acordo com os dicionários de Portugal e do Brasil, os verbos embaçar embaciar são sinônimos. Embaçado é um perfeito sinônimo de embaciado. As duas formas estão corretas e podem ser usadas indistintamente.

A janta ou o jantar? Existe a palavra janta?

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“A janta” ou “o jantar”? Há quem diga que janta não é substantivo, que “janta é um verbo”. Quem afirma isso está enganado: jantar é que é um verbo – e do mesmo modo que “jantar” pode ser verbo e substantivo, janta também pode ser uma das conjugações do verbo jantar (“ele janta”) e um substantivo: a janta.

E o substantivo “janta” existe, e há muito tempo – “a janta” está em todos os dicionários, brasileiros e portugueses; apareceu por primeira vez num dicionário de Portugal em 1881. É ignorância afirmar, portanto, que “‘a janta’ não existe“.

O que, sim, existe é uma diferença de uso: diferentemente de jantar, que é palavra que se pode usar em qualquer contexto, a janta é palavra que se usa no meio familiar e em contextos informais, geralmente para designar uma refeição informal, feita em casa e menos elaborada. Não convém chamar uma refeição fora de casa de “janta”. Mesmo em família, alguém que se tenha dedicado a preparar uma refeição especial provavelmente preferirá que se refiram ao que preparou como um “jantar” e não uma “janta”.

Toledano ou toledense? Quem nasce em Toledo é…

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Como se chama quem nasce em Toledo? Depende de qual Toledo. Quem nasce na Toledo espanhola, a da foto acima, é toledano ou toledana. Existem ainda formas antigas, referentes ao antigo nome de Toledo – Toleto. Dessa forma antiga, existem até hoje os derivados toletanotoletanatoletense, que ainda se usam como sinônimos de toledano(a) para se referir a quem nasce naquela cidade espanhola.

Já no Brasil, temos três cidades com esse nome: Toledo, em Minas Gerais; Toledo, no Paraná; e Pedro de Toledo, em São Paulo.

Quem nasce na Toledo de Minas Gerais ou em Pedro de Toledo é toledense. No caso de Pedro de Toledo, apenas se necessária a diferenciação, usa-se (raramente) pedro-toledense (forma que deve ser escrita com hífen).

Já quem nasce em Toledo no Paraná é toledano ou toledana – exatamente como os nascidos na Toledo espanhola.

A pronúncia de longevo e longeva

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Qual a pronúncia correta de longevo? “Longêvo” ou “longévo“? Com “e” aberto ou fechado? E de longeva: longêva ou longéva?

A pronúncia tradicional em português é longévolongéva, com “é” aberto. É a única pronúncia indicada pelo dicionário Aurélio (foto acima), pelo dicionário da Academia Brasileira de Letras, pelo dicionário Caldas Aulete (ver aqui) e, em Portugal, pelo Vocabulário da Língua Portuguesa de Rebelo Gonçalves.

A palavra longevo vem do latim longaevus. Em regra, a sequência –ae– do latim resultou em “é”, aberto, em português.

A pronúncia “longêvo”, que se ouve com frequência tanto em Portugal quanto no Brasil, explica-se por se tratar de palavra muito mais usual na escrita do que na oralidade – o que significa que a maioria das pessoas a aprendem ao lê-la, e não ao ouvi-la de outros falantes -, e a forma escrita, que não leva acento, não permite ao leitor saber se esse “e” se deve pronunciar “é” ou “ê”.

Amostra ou mostra? Mostrar ou amostrar?

Muitas pessoas usam, em lugar de “mostrar”, o verbo amostrar – quando pedem, por exemplo, para ver algo, dizem “Amostra!” em vez de “Mostra!“. Estão erradas? Não, de forma alguma. Basta abrir qualquer dicionário, brasileiro ou português, velho ou novo, para ver que amostrarmostrar são, há séculos, sinônimos em português.

O dicionário Houaiss (foto a seguir) é sucinto: amostrar é “o mesmo que mostrar“. O dicionário Aulete (foto abaixo) dá mais sinônimos: amostrar significa “mostrar, fazer ver, apresentar, expor“. O dicionário Aurélio (também foto abaixo) vai além: indica que amostrar é sinônimo de mostrar – e inclui exemplos de uso do verbo “amostrar” por parte do maior escritor brasileiro – Machado de Assis – e de um dos maiores portugueses, Camilo Castelo Branco.

Como ensina Aurélio, Machado de Assis, maior escritor brasileiro, fundador da Academia Brasileira de Letras – e cuja escrita até hoje é considerada exemplo do melhor português – usava “amostrar” com o sentido de “mostrar”.

É, na verdade, o mesmo modelo de muitos outros pares de palavras em português, que apresentam uma variante com e outra sem um “a” inicial, que não afeta o significado. É o caso de abaixar ou baixar; ajuntar ou juntar; arraia ou raia (o animal marinho); amora ou mora (a fruta); arrecife ou recife. Todas têm igual significado e podem ser usadas indistintamente.

Aurelio

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Ajuntar ou juntar? Existe o verbo ajuntar?

Aurelio

Existe a palavra ajuntar? Sim, existe, e está perfeitamente correta. Segundo o dicionário Aurélio e o dicionário Houaiss, ajuntar é um perfeito sinônimo de juntar.

Aurélio dá preferência a ajuntar, remetendo juntar para ajuntar. Já Houaiss remete ajuntar para juntar. Ambos concordam, porém, que os dois verbos existem, são corretos e têm os mesmos significados e regências.

Como mostram o Aurélio e o Houaiss, é absolutamente correto e indiferente, portanto, usar ajuntar  ou juntar:

  • Maria e Pedro juntaram-se (ou ajuntaram-se);
  • Juntou uma última folha ao processo (ou Ajuntou uma folha ao processo);
  • Juntar algo do chão (ou ajuntar algo do chão).

Pela Internet afora há, como sempre, os charlatães inventores de falsos erros, que afirmam que só um dos dois verbos está correto, ou que ajuntar é menos formal ou coloquial, ou que só um dos dois admite algumas regências e o outro só admite outras – todas mentiras. O Houaiss diz enfaticamente: ajuntar é sinônimo de juntar “em todas as suas regências”. Tanto o Houaiss quanto o Aurélio trazem longa lista de exemplos que mostram que grande escritores, portugueses e brasileiros, usam indistintamente ajuntar ou juntar, com diversos significados (adicionar, unir, recolher, pegar do chão, acumular, congregar-se, etc.).